História Aty Guasu

Tonico Benites-Guarani-Kaiowá e pesquisador da UFRJ

História da invasão do território Guarani Kaiowá

Tekoha Guasu Guarani e Kaiowá, 18 de dezembro de 2012.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Senadores e deputados viajam a aldeias dos Guarani-Kaiowá e região

O senador João Capiberibe (PSB/AP) e a deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP) integram a comitiva mista da Câmara e do Senado que vão ao Mato Grosso do Sul analisar a situação do índios Guarani-Kaiowá e pedir que o governo estadual evite a violência.
Informações sobre as comunidades indígenas

Acampamento Pyelito Kue
Está localizado no município de Iguatemi. Trata-se de uma área de ocupação tradicional cuja demarcação há anos vem sendo solicitada pelos indígenas Guarani-Kaiowá. Em 2008, a FUNAI constituiu um grupo técnico que está trabalhando nos estudos antropológicos e fundiários necessários para a demarcação desta terra indígena. O local é marcado por um histórico de violência contra os indígenas. Em 2006 e 2009 eles realizaram tentativas de ocupação de parte das áreas que consideram como de ocupação tradicional e foram violentamente expulsos delas.

Em agosto de 2011, entraram novamente em algumas fazendas da região e foram sendo sistematicamente expulsos da área. Acamparam então na margem de uma rodovia estadual secundária não pavimentada. Neste local, mesmo sendo uma área pública, foram atacados na noite do dia 23/11/2012. Os atacantes utilizaram armas de fogo e incendiaram o acampamento. Desde então, os indígenas se alojaram no local em que estão atualmente, que é na margem do Rio Hovy, no interior da Fazenda Cambará. A área ocupada é de aproximadamente um hectare e está localizada em Área de Preservação Permanente.

Em agosto deste ano, a Justiça Federal de Naviraí liminarmente determinou a reintegração de posse da área, decisão que foi suspensa, também em caráter liminar, pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Estima-se que a população indígena deste acampamento seja de aproximadamente 160 pessoas.

Reserva Indígena Amambay
Está localizada na cidade que leva o mesmo nome. Criada em 1915, foi a primeira entre as oito reservas indígenas criadas pelo Serviço de Proteção ao Índio (SPI) para os Guarani e Kaiowá no início do seculo XX. O Decreto Estadual nº 404/1915 criou a área com 3.600 ha., mas logo houve uma significativa redução. Em 1926, o governo concedeu título definitivo de uma parte da área para um particular, sendo que a reserva indígena ficou então com apenas 2.429 ha. Diz a memória local que a área da reserva cedida ao particular possuía solo fértil propício à agricultura. Em compensação à perda dos indígenas, o Estado criou a Reserva Indígena Limão Verde, também no Município de Amambai, com 660 ha., mas de solo arenoso, impróprio para atividades agrícolas. A população desta reserva indígena é estimada em 7.000 indígenas no Município de Amambai. Com a Reserva Indígena Limão Verde, a terra indígena Jaguar e os indígenas que vivem na área urbana, estima-se que a população indígena da região seja superior a 10.000 pessoas, de um total de 34.730 habitantes.

Composição das Comissões
Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal: Deputada Janete Capiberibe (PSB/AP)
Comissão Externa da Câmara dos Deputados: Sarney Filho, Alessandro Molon, Danilo Forte, Penna, Geraldo Resende e Erika Kokay
Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal: João Capiberibe (PSB/AP), Randolfe Rodrigues (PSOL/AP), Waldemir Moka e Delcídio do Amaral

Roteiro da Comitiva
06:00 - Embarque na Base Aérea de Brasília e deslocamento com destino à Dourados-MS.
06:30 - (hora local - diferença de 1h de fuso)
07:00 - Embarque e deslocamento com destino ao acampamento Pyelito Kue, Município de Iguatemi
11:00 - Visita ao acampamento Pyelito Kue
13:00 - Embarque e deslocamento com destino ao Município de Amambai (MS)
15:30 - Embarque e deslocamento com destino à reserva indígena Amambai
16:00 - Visita à reserva indígena Amambay
17:00 - Embarque e deslocamento com destino a Dourados.
19:30 - Desembarque em Dourados (MS) na Câmara de Vereadores e preparação para audiência com representantes dos proprietários rurais
20:00 - Reunião com representantes dos proprietários rurais na Câmara de Vereadores de Dourados (MS)
22:00 - Volta a Brasília


Fonte: http://www.maxpressnet.com.br/Conteudo/4,551807,Senadores_e_deputados_viajam_a_aldeias_dos_Guarani-Kaiowa_e_regiao_,551807,8.htm

DOCUMENTO À COMITIVA DOS SENADORES E DEPUTADOS FEDERAIS.


INFORMATIVO DA ATY GUASU, UMA COMISSÃO DE LIDERANÇAS DA ATY GUASU, NO DIA 10/12/2012 ENTREGOU ESTE DOCUMENTO À COMITIVA DOS SENADORES E DEPUTADOS FEDERAIS.


DA: ATY GUASU GUARANI E KAIOWÁ-MS.
PARA: Comitiva dos Senadores da República, Deputados Federais, Governo e Justiça Federal.


ASSUNTO: Solicitação de política pública de reparação, indenização e devolução dos territórios antigos reivindicados Gu
arani e Kaiowá. 


Inicialmente, queremos agradecer pela visita ao Guarani e Kaiowá. Na ocasião, vamos repetir aqui, mais uma vez os fatos que aconteceram e continuam acontecendo com a nossa vida e com as nossas terras antigas. Em primeiro lugar, desde 1950, nós Guarani e Kaiowá fomos expulsos de nossas terras tradicionais pelos atuais fazendeiros, por isso estamos morrendo, sofrendo em 20 pequena ilha de terra. Estamos vivendo distante de nossa terra antiga há mais de 30 anos. Dia a dia, passamos por situação de miséria, ameaça de morte, não estamos sendo bem atendido nos órgãos públicos. De fato, desde 1980, nas pequenas ilhas, denominada de aldeia/reserva indígena, mais de 950 Guarani e Kaiowá se suicidaram por não se adaptar às reservas indígenas. Mais de 15.000 (quinze mil) homens estão sendo explorados e escravizados na usina de álcool. Além disso, mais de 200 lideranças Guarani e Kaiowá foram assassinadas pelos fazendeiros. Desde 1970, os recursos naturais de nossas terras foram totalmente destruídos e nossas águas e rios estão sendo envenenado e poluído. Diante dessas situações atuais, nós lideranças da Aty Guasu, em primeiro lugar, passamos a demandar uma indenização e política pública de reparação para o povo Guarani e Kaiowá sofrida e expulsada de seus territórios antigos.

Sabemos e acompanhamos que nos últimos dois anos, já há várias comissões criadas, tais como: Comissão de CNJ, etc, cada semana está sendo criada mais uma “comissão”, mas nenhuma comissão não discutiu seriamente a devolução de territórios indígenas e indenização para Guarani e Kaiowá expulsos de suas terras antigas. Por isso, nós da Aty Guasu, vimos entregar à comitiva dos Senadores e Deputados federais, sobretudo aos Governos e Justiça Federal.

Os assassinatos de nossas lideranças, sofrimentos permanente dos Guarani e Kaiowá e destruições de nossos recursos naturais, em resumo O GENOCÍDIO SÃO nossa justificativa de indenização e política de reparação para sobreviventes Guarani e Kaiowá sofridos e expulsas das terras antigas, localizadas no cone sul de Mato Grosso do Sul.

Como já é sabido, que desde 1950 até 1980, vários homens indígenas (Guarani e Kaiowá) foram escravizados pelos fazendeiros para fazer a derrubada de mato, no atual cone sul de MS. As atividades desses indígenas eram derrubar o mato com as ferramentas manuais, tais como: facão, foice, machado e enxada. Duração desse trabalho degradante eram 14 horas por dia. Os três (03) homens não índios-pistoleiros “brancos” com mão armada vigiavam diariamente os trabalhos e as casas dos indígenas. Além disso, os homens Guarani e Kaiowá não recebiam nenhum salário/remuneração por essa atividade pesada e degradante.

Esses homens indígenas Guarani e Kaiowá trabalharam de modo escravizado somente para não abandonar ou sair de seu território antigo. Hoje, eles são escravizados ainda na usina de álcool.
Importa destacar que a maioria dos idosos Guarani e Kaiowá que trabalhou na derrubada de mato está ainda com vida e está no acampamento em conflito no cone sul de MS. Diante dessas narrações de todos os idosos Guarani e Kaiowá, nós lideranças da Aty Guasu solicitamos, com urgência, as indenizações de reparações para comunidades Guarani e Kaiowá expulsas de seus territórios. Assim, essa indenização tem que apresentar uma medida compensatória por trabalho escravo, danos morais e materiais sofridos pela comunidade, expulsa de seu território tradicional no processo de criação das fazendas sobre os territórios indígenas, no cone sul de MS.

Atenciosamente,
Tekoha Guasu Pyelito kue/Mbarakay-Iguatemi, 10 de dezembro de 2012.
Lideranças da Aty Guasu Guarani e Kaiowá-contra genocídio.

Site Teko Arandu

Site Teko Arandu [link]


TEKO ARANDU ha’e petei mba’e ojejapóva mokõi ñe’eme ha ñepytyvópy, he’ise karai ñe’eme “Modo Sábio de Viver”. Ko mba’ére oñangareko umi mbo’ehára Te’ýikuepegua. Ko teko opyta karai retã héra Caarapó Ms pe. Portal ha’e petei ventana. Upérupi ikatu reikuaave “Ponto de Cultura” rehegua rembiapo. Upérupi roipota petei jehekarendaha, Teko Guarani ha Kaiowá mba’érehegua. Pe ventana opyta reikehaguãicha Gesac ha Cultura Viva ha CNPq opytyvõgui. Avei oguereko ambue pytyvõha. Pe mba’épe oi ave hesakutu haguã, jejapo, jehechauka ha ñemosarambi haguã mba’épa ojehu ko Mato Grosso do Sul Guarani ha kaiowá kuérare. Pe petei teko renda oñoñe’e oñondive ambue teko renda ndive. Pe mba’e jejapo ha jeheka oñembyaty aty te’ýirehegua hérava “Núcleo de Estudos e Pesquisas das Populações Indígenas” ha Universidade Católica Dom Bosco rupi. Upépe oi ha oiko heko rupi oi 4000 avá Kaiowá ha Guarani. Ha avei ko tembiapo rupive ombyaty heta arandu, omõi haguã avá kuéra ñemongetáme ha oñeñangareko haguã ava remikotevere. Pe mba’e tuicha omombarete pe ñepyru pe aty oipotáva oñemopu’ãva heta Aty rupive hérava “Fóruns” ojejapóva petei kuarahy jerejave pe tekohápe. Ko tembiapo renda opyta mbo’eróga hérava Ñandejara, tekoha Te’ýikue ryepýpe. Ha upépe oi Jeporeka Renda ha oñeme’e ojavykykuaa haguã ha ojavyky haguã Internet umi mbo’ehára, oñangarekóva mba’asýre ha mburuvicha kuéra peguãrã.

TEKO ARANDU é um sítio bilíngue e colaborativo cujo significado, na língua Guarani, é "modo sábio de viver". Esta página é mantida na rede pelos professores da comunidade indígena Te'ýikue, no município de Caarapó - MS. Este portal é a janela na internet pela qual é possível obter informações sobre o Ponto de Cultura com o objetivo de constituir-se num Centro de Pesquisa, Cultura e Arte dos Índios Guarani/Kaiowá. Esta janela é mantida aberta com o apoio do Governo Federal mediante seus programas GESAC e Cultura Viva, CNPq e muitos outros parceiros. O projeto inclui o levantamento, digitalização, catalogação, produção, análise e divulgação da cultura e história dos Kaiowá e Guarani, no Mato Grosso do Sul, a partir de um ponto de cultura interligado em rede com os demais pontos. Esta ação está articulada ao Núcleo de Estudos e Pesquisas das Populações Indígenas da Universidade Católica Dom Bosco com a área indígena Te'ýikue, onde vivem, de acordo com suas tradições, aproximadamente 4000 índios da etnia Kaiowá. A proposta é interdisciplinar, integra a comunidade indígena na discussão e gestão do projeto com o objetivo de fortalecer as iniciativas e demandas da comunidade levantadas nos vários fóruns indígenas realizados anualmente nesta área. A sede física do projeto está na escola indígena Nhandejara, no interior da aldeia, onde há um laboratório de informática que oferece capacitação e acesso à internet para os agentes envolvidos no projeto: professores indígenas, agentes de saúde e lideranças comunitárias.

BLOG FUNAI – PONTA PORÃ/MS

Aty Guasu foi realizada na aldeia Panambi Lagoa Rica 

[

O Conselho da Aty Guasu, composto por lideranças, professores e rezadores indígenas, debateram principalmente sobre a questão fundiária
Foto: Amanda Cury

Jornal O Globo

Noticias do jornal "O Globo" [link]

1. Luta dos Guaranis Kaiowás chega à justiça e ganha projeção internacional
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2. Estudantes fazem passeata em defesa dos Guarani Kaiowás
[31/10/12]

3. Antropólogo Guarani Kaiowá analisa relação dos índios com sua terra
Matéria de Tonico Benites índio pertencente a nação Guarani Kaiowá, mestre e doutorando em Antropologia Social pela UFRJ 
[27/10/2012]

4. Deputados pedem manifestação de Dilma sobre caso dos Guarani Kaiowá  
[30/10/2012]


5. Somos todos Guarani Kaiowá
 [26/10/2012] Enviado por Nurit Bensusan (não é jornalista de “O Globo”) 




6. Os Guarani Kaiowá e Darcy
[25/10/2012]


7. Nota do CIMI sobre suicídio de índios
[25/10/2012]


8. Ministério Público Federal recorre na justiça contra retirada de índios de fazenda em Mato Grosso do Sul
[25/10/2012]


9. Mato Grosso do Sul: índios falam em morte coletiva após decisão judicial
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10. Indígenas ameaçam cometer suicídio coletivo

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11. Índios ameaçam resistir à despejo no Mato Grosso Do Sul
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14. Guarani Kaiowá ameaçam denunciar Brasil na OEA  
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15. Réus são absolvidos da acusação de assassinato de cacique Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul 
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16. Filha de cacique Guarani Kaiowá morto reconhece dois dos três réus durante julgamento em São Paulo
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17. Roteiro da tragédia Kaiowá no Brasil
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18. Críticos de Veneza aplaudem filme sobre índios brasileiros
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2. Colunas: Kátia Abreu/ A tragédia da Funai
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3. Justiça Federal suspende expulsão de índios Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul
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19. Relatório mostra tortura, polícia violenta e impunidade aos crimes da ditadura no Brasil
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20. Decreto de Lula cria área indígena com 50 mil km2
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