História Aty Guasu

Tonico Benites-Guarani-Kaiowá e pesquisador da UFRJ

História da invasão do território Guarani Kaiowá

Tekoha Guasu Guarani e Kaiowá, 18 de dezembro de 2012.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Aty Guasu repudia a portaria No 303 da AGU, visto que esta Portaria é parte do processo de etnocídio/genocídio desde 1500


UM ATO NOCIVO E ARBITRÁRIO
  
A ABA vem a publico manifestar o seu repúdio a recente Portaria No. 303 elaborada pela AGU e publicada no DOU.  A pretexto de homogeneizar o entendimento dos organismos de governo no que tange a aplicação das chamadas condicionantes para o reconhecimento de terras indígenas apontadas pelo STF durante a decisão sobre a TI Raposa/Serra do Sol, esta portaria pretende impor uma leitura da legislação indigenista brasileira em total dissintonia com os interesses indígenas, com  os princípios constitucionais estabelecidos na Carta Magna de 1988 e com as convenções internacionais das quais o Brasil é signatário.

É um ato totalmente arbitrário e inadequado pretender resolver questões complexas e da maior importância para a ação indigenista mediante uma simples portaria.  As chamadas condicionantes estabelecidas no curso de um processo judicial específico e cheio de singularidades, não poderiam de maneira alguma ser tratadas de modo caricatural e mecânico, ignorando por completo as múltiplas interpretações antropológicas e jurídicas que podem receber. 

A portaria atropela ainda de maneira grosseira e acintosa a própria ação indigenista e a distribuição de mandatos e competências entre os órgãos públicos. Assim ignora os esforços desenvolvidos pela própria FUNAI e pela Secretaria-Geral da Presidência da República, em amplos foros de debate, no sentido de promover a regularização do direito de consulta, considerando-o procedimento dispensável sempre que algum governismo governamental vier a entender, por critérios puramente internos, que está lidando com questão de superior interesse nacional (art. 1º, itens 5, 6 e 7). Por outro lado com uma simples canetada e sem qualquer justificativa que o embase, transfere para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade as responsabilidades, o poder de administração e controle sobre uma imensidade de terras indígenas (art. 1º, itens VII, IX e X).

Ao leitor atento a portaria não deixa dúvidas – sem um embasamento doutrinário e sem cercar-se dos devidos cuidados de estudar a questão a fundo e promover os debates necessários a cristalização de um entendimento democrático, a AGU selecionou questões totalmente diversas colocadas a administração pública no seu trato com as comunidades indígenas e procurou dar-lhes a interpretação mais restritiva e negativa possível aos direitos dos indígenas.

Por seu primarismo e incongruência, buscando restringir e amesquinhar os direitos indígenas presentes na CF-1988, a ABA considera a portaria 303 um instrumento jurídico-administrativo absolutamente equivocado e pede a sua imediata revogação.

Bela Feldman Bianco e João Pacheco de Oliveira
Presidente da Associação Brasileira de Antropologia e Coordenador da Comissão de Assuntos Indígenas

Aty Guasu Guarani e Kaiowá do MS, será realizada entre os dias 25/07/ a 28/07/2012 T.I. Rancho Jakare-L. Carapã


ATY GUASU GUARANI-KAIOWÁ-MS
Dourados, 03 de Julho de 2012.

Aos representantes executivos dos órgãos públicos federais, estaduais e municipais.

Assunto: Convite para participar da Aty Guasu Guarani e Kaiowá

                        Prezado(a) Senhor(a),

  1.  Na oportunidade que o(a) cumprimentamos, convidamos Vossa Senhoria para participarda   grande Assembleia Geral Aty Guasu das lideranças Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul, a ser realizada entre os dias 25/07/2012 e 28/07/2012, na Terra Indígena Rancho Jakaré-Laguna Carapã -MS.
  2. Esta Aty Guasu das lideranças guarani-kaiowá tem por objetivo a realizar uma avaliação dos resultados de implementação dos Direitos Indígenas constante na CF/88 e 169-OIT, e Direitos da pessoa Humana dos indígenas, buscando a efetivação dos direitos indígenas nacionais e internacionais.
  3. Colocamos à disposição para confirmação de Vossa participação na Aty Guasu o endereço eletrônico do conselho da Aty Guasu: tonicobenites2011@hotmail.com,eliseuguarani@bol.com.br, otonielricardo@yahoo.com   
Atenciosamente,

Conselho e comissão organizadora da Aty Guasu Guarani e Kaiow

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Boa notícia, agora só aguardamos o corpo do ñanderu Nisio Gomes


Presidente do Sindicato Rural está entre presos no caso Nísio Gomes
TARYNE ZOTTINO 04/07/2012 08h25 

Um dos presos da "Operação Ñemomano", da Polícia Federal, é Osvin Mittank, presidente do Sindicato Rural de Aral Moreira. Ele é acusado de envolvimento na morte do cacique Nísio Gomes.

A Polícia Federal concluiu que o cacique Nísio Gomes, desaparecido desde novembro do ano passado, foi assassinado por seguranças de fazendeiros. Cinco pessoas já foram presas e outros três mandados de prisão deverão ser cumpridos durante a “Operação Ñemomano”, deflagrada às 5h de hoje (04), em Ponta Porã (MS).

  • PONTA PORà Operação da Polícia Federal prende mais 4 envolvidos no desaparecimento de cacique
  • FRONTEIRA  PF e bombeiros se mobilizam para encontrar corpo de cacique
Foram expedidos oito mandados contra seis fazendeiros, um advogado e um funcionário público. Anteriormente, nove pessoas já haviam sido presas, entre elas o empresário e ex-policial militar Aurelino Arce. Os suspeitos presos nesta quarta-feira estão na Delegacia de Polícia Federal de Ponta Porã.

Os presos segundo o delegado da PF, Jorge Andre Figueredo, informou que poderão responder pelo crime de formação de quadrilha, homicidio e ocultação de corpo.

(Com informações de Fábio Dorta)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Nota da Aty Guasu sobre a morte da liderança Guarani-Kaiowá Zezinho da Laranjeira Ñanderu/Rio Brilhantes/MS


Nota das lideranças Aty Guasu Guarani e Kaiowá para todas as autoridades do Brasil

O objetivo desta nota das lideranças da grande assembléia Guarani e Kaiowá Aty Guasu é lamentar o atropelamento e morte da liderança Guarani-Kaiowá “Zezinho” ou José de Almeida Barbosa da terra em conflito Laranjeira Ñanderu/Rio Brilhantes/MS. Além disso, é socializar a trajetória de luta árdua do Zezinho que uma luta similar às outras lideranças Guarani e Kaiowá/MS. Ele era umas das lideranças ameaçadas de morte por lutar pelas efetivações dos direitos indígenas e justiça, por essa razão, o Zezinho falava de forma repetitiva na assembleia Aty Guasu: “Estou lutando pela recuperação de nossa tekoha antiga Laranjeira Ñanderu, é para nossas crianças, por isso logo serei morto, eu sei disso. Mas vou lutar até morrer”.

O Zezinho como qualquer outro líder indígena guarani-kaiowá, e porta voz da Aty Guasu Guarani e Kaiowá, ao longo das últimas duas décadas, participou de todas as grandes assembleias Aty Guasu. Além disso, nos últimos cinco (5) anos, ele tem participado de várias audiências com todas as autoridades federais, reivindicando reiteradamente a devolução do território antigo indígena Laranjeira Ñanderu, denunciando as violências e ameaças contra as indígenas, demandando os recursos para as áreas de saúde e educação escolar, etc. Assim, quase todo o dia, Zezinho ia a pé e/ou de bicicleta atrás de autoridades municipal, estadual e federal para buscar soluções possíveis para as demandas da comunidade indígena da área em conflito. Por isso mesmo, ele é bem conhecido tanto pelas autoridades federais locais como pelas autoridades nacionais.

Pela última vez, no dia 25 de junho de 2012, o Zezinho saiu de bicicleta do acampamento em conflito Laranjeira Ñanderu para demandar o transporte escolar para crianças indígenas que andam diariamente 6 km para pegar o ônibus escolar municipal. Durante o trajeto, o Zezinho foi atropelado e estava no hospital em Dourados desde 25/06/2012, em estado grave. O Zezinho, infelizmente não resistiu e morreu ontem (01/07/2012) às 16h00min, no hospital em Dourados/MS. Diante disso, é importante destacar que uma das preocupações e demandas do Zezinho é sobre o meio de transporte das lideranças dos territórios em conflito. Várias vezes, ele reivindicava que “as Fundações Federais (FUNAI, FUNASA, etc.) responsáveis pela assistência e proteção dos Índios deveriam transportar nós lideranças das terras em conflitos. Nós corremos risco de vida andando a pé pela estrada, muitas lideranças já foram atropelados nas estradas”. Ele repetia essa frase.

Lembramos ainda que uma vez, na reunião da Aty Guasu, Zezinho falou: “é muito difícil conseguir carona com pessoal da FUNAI e FUNASA/SESAI, a gente pede e pede, mas parece que eles não gostam de transportar nós lideranças não, por isso, hoje vim a pé, andei um pouco e depois pequei carona, cheguei agora à reunião.”

A família extensa do Zezinho é originária do território tekoha guasu Laranjeira Ñanderu, ele nasceu nesse tekoha. Ele é casado tem dois filhos, quatro filhas e vários netos. O Zezinho, além de reivindicar o território antigo tekoha guasu Laranjeira Ñanderu, passou a ocupar a função importante de porta voz da Aty Guasu. O Zezinho pregava, de modo similar a demais lideranças Guarani e Kaiowá, na grande assembleia aty guasu que:
 “nós lideranças guarani-kaiowá que lutamos pela recuperação dos nossos territórios antigos tekoha guasu “nós nunca devemos desistir de lutar pelo nosso tekoha e jamais abandonar nossos familiares e companheiros de luta”. “Até devemos morrer, se for preciso pela nossa tekoha guasu, para salvar muita vida e futuro de nossas crianças”, “mas abandonar a tekoha nunca, porque nos pertencemos ao nosso tekoha guasu”. Estas são também algumas frases que o líder Zezinho compartilhava e repetia com frequência.

É importante destacar que a porta voz e liderança indígena que luta especificamente pela terra antiga, na tradição e cultura do povo Guarani Kaiowá, é um cargo vital irrenunciável e imutável.

Baseado nisso o Zezinho com vida não deve abandonar o território antigo que ele reocupou com seu grupo de parentela e filhos (as), netos (os), porém o território antigo reocupado Laranjeira Ñanderu e os parentes foram abandonados fisicamente por Zezinho no dia 01/07/2012, por que foi atropelado de forma cruel, somente por isso Zezinho abandonou já sem vida o território tradicional tekoha guasu reocupado.

No sentido amplo, com máxima honra e profundo respeito, reconhecemos que o Zezinho morreu lutando pela terra e justiça, de modo igual às várias lideranças, tais como: Marçal, Dorival, Dorvalino, Xurite, Genivaldo, Rolindo Vera, Nisio Gomes, entre outros. Frente a esse fato cruel em que lutamos e sobrevivemos, mais uma vez, pedimos que seja investigado e punido o autor e mandante do crime.

 Por fim, destacamos que a luta do Zezinho e das demais lideranças Guarani e Kaiowá assassinadas citadas acima continuam e continuarão para sempre. Nós todas as lideranças Guarani e Kaiowá podemos ser morto e/ou morremos, mas esta luta árdua pela recuperação dos territórios antigos não morrerá, por ser uma luta justa e digna que por essa razão a luta justa do ZEZINHO é e será uma luta vital, forte e infinita.

Atenciosamente,

Laranjeira Ñanderu/ Rio Brilhantes/MS, 02 de julho de 2012.

Lideranças/Conselho da Aty Guasu Guarani e Kaiowá/MS

sábado, 23 de junho de 2012

Nota das lideranças da Aty Guasu aos juízes federais sobre o dono da GASPEM/Dourados-MS


Nota das lideranças Aty Guasu Guarani-Kaiowa-MS a todos juizes federais.

Objetivo central desta nota é solicitar o julgamento e punição exemplar do proprietário da GASPEM/Dourados/MS juntamente com 09 assassinos presos pela Polícia Federal, no dia 15 de junho de 2012. Eles são autores e praticantes de genocídio/etnocídio do povo Guarani-Kaiowá do MS.

Nós 80 lideranças/representantes da Aty Guasu Guarani-Kaiowa-MS estamos aqui no Rio+20 entre os dias 14 e 22 de junho de 2012, participando da Cúpula dos Povos Indigenas, no dia 16 de junho de 2012 recebemos a informação de que o dono da Gaspem foi preso juntamente com os outros 9 pistoleiros que, no dia 18/11/2012, atacaram CRIANÇAS, IDOSAS, MULHERES e mataram o rezador NISIO GOMES. Importa destacar que esta informação divulgada só confirmou a nossa denúncia feita a todas as autoridades brasileiras, sociedade nacional e intenacional. Mais uma vez, nós lideranças temos absoluta certeza de que  REZADOR NISIO GOMES FOI ASSASSINADO PELOS PISTOLEIROS SIM, para nos não há nenhuma dúvida que o cadáver do xamã Nisio está escondido pela equipe da GASPEM. A partir dessa data, esperamos anciosamente o cadáver do NISIO GOMES, para prestarmos a cerimônia de enterro.

Mais uma vez, queremos reafirmar a denúncia que a empresa GASPEM e seus agentes são especializada em prática de genocidio/etnocidio no MS, há década atua como exterminadores de lideranças guarani-kaiowa no Cone Sul de Mato Grosso do Sul. Assim a GASPEM é evidentemente ameaçadora e assassina de várias lideranças indígenas. Diante desse fato evidente, nós lideranças da Aty Guasu Guarani-Kaiowa vimos demandar reiteradamente que o empresário de GASPEM e 9 pessoas presas pela PF sejam julgados como práticas de genocídio-etnocídio, de assassinos de várias lideranças indígenas, tais como, Dorvalino que foi morto por agentes de GASPEM no dia 24 de dezembro de 2005, Nisio Gome que foi assassinado por GASPEM também no dia 18 de novembro de 2011, etc. Por essa razão, pedimos a todos juizes  federais para não soltar esses 09 assassinos que foram presos no dia 15/06/2012, visto que claramente apresentam muito perigo tanto para todos os indígenas quantos para sociedade em geral. Por fim, acreditamos na Justiça Brasileira, por isso, solicitamos á Justiça para julga-lós e puni-los exemplarmente esses 10 assassinos presos e mandantes, e sobretudo apelamos para que a PF continue prendendo os restantes dos pistoleiros que ainda estão soltos no MS.

Cúpula do Povos Indígenas-Rio de Janeiro, 21 de junho de 2012

Atenciosamente,

Lideranças da Aty Guasu Guarani-Kaiowá-MS.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Aty Guasu informa: PF prendeu Aurelino Arce é um dos suspeitos do assassino do cacique Nísio Gomes em Amambaí


Aurelino Arce é um dos suspeitos do “sumiço” do cacique Nísio Gomes em Amambaí
15/06/2012 10h

PF prende dez suspeitos de participação no “sumiço” do índio Nísio Gomes em Amambaí


Maryuska Pavão e Osvaldo Duarte

A Polícia Federal de Dourados está realizando na manhã desta sexta-feira uma operação, cumprindo mandados de prisão preventiva, onde aproximadamente dez pessoas estão sendo presas, suspeitas de participarem do assassinato do líder indígena Nísio Gomes na localidade de Guaiviry entre Ponta Porã e Amambaí.

Um dos suspeitos é o empresário Aurelino Arce, proprietário da Gaspem Segurança, que teria sido “entregue” pela ex-namorada Tatiana Micheli dos Santos, 20 anos, que está presa, após tentar sequestrar, matar e roubar o empresário.

As delegacias da Polícia Federal de Dourados e Ponta Porã estão realizando a operação, ainda não foi divulgada nenhuma nota com mais detalhes sobre o caso.

SAIBA MAIS

Morte de líder indígena pode indicar atuação de milícias no MS
Quatro fazendeiros são indiciados por sumiço de cacique indígena
Empresário Aurelino Arce é baleado durante assalto

domingo, 10 de junho de 2012

Divulgação internacional sobre a luta da ATY GUASU do povo Guarani-Kaiowá no Site de The New York Times


Site: The New York Times
Em,10/06/2012

Violência bate Tribos Guarani do Brasil na busca por terras
Mauricio Lima para The New York Times

GUARDING TRADIÇÃO jovens Guarani durante uma cerimônia em Mato Grosso do Sul, Brasil. Por SIMON ROMERO Publicado em: 09 de junho de 2012

ARAL MOREIRA, Brasil - Os homens armados surgiram de caminhonetes na madrugada, com os rostos escondidos em balaclavas, e invadiram um acampamento rodeado por um campo de plantas de soja perto desta cidade na fronteira porosa do Brasil com o Paraguai.
Multimídia
Morrendo por Terra
Fotografias
No Brasil, batalhas pela terra ancestral


Mauricio Lima para The New York Times

FALLEN LEADER 

Um menino jogado perto de um memorial para Nísio Gomes, que desapareceu no estado de Mato Grosso do Sul, onde tem havido uma onda de ataques contra os povos indígenas.
Testemunhas disseram que os homens então atirou Nísio Gomes, 59, um líder do povo indígena Guarani; carregado o cadáver em um caminhão, e foi embora.

"Queremos que os ossos de meu pai", disse Valmir Gomes, 33, um dos filhos de Nísio, que testemunhou o ataque de Novembro. "Ele não é um animal para arrastar para longe como isso."

Se os corpos são levados embora ou deixaram como testamento para batalhas por terra ancestral, assassinatos e desaparecimentos de líderes indígenas continuam a subir, deixando uma mancha na ascensão do Brasil como uma potência econômica.

A expansão de fazendas de gado e grandes em escala industrial fazendas em regiões remotas produziu uma disputa de terra que está deixando os ancestrais dos habitantes originais do Brasil desesperadas para recuperar terrenos tribais, em alguns casos, de cócoras sobre as propriedades contestadas. Proprietários de terras não-indígenas, entretanto, muitos dos quais vivem na terra resolvida há décadas por seus próprios antepassados ao abrigo de programas do governo chamados de colonização, são tão apegados às suas reivindicações.
Os conflitos muitas vezes resultam em confrontos violentos, que por vezes terminam tragicamente para os invasores, armados aqui apenas com arcos e flechas.
Cinqüenta e um índios foram assassinados no Brasil em 2011, como muitos como 24 das mortes são suspeitas de estarem relacionadas com batalhas terrestres, segundo o Conselho Indigenista Missionário, um braço da Igreja Católica Romana.

As mortes chamaram a atenção para um problema que ainda assola o Brasil à frente da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, uma reunião de milhares programado para ser realizado no Rio de Janeiro este mês. Vinte anos atrás, antes da Cúpula da Terra original no Rio, as autoridades responderam às críticas internacionais sobre assassinatos de índios Yanomami por garimpeiros, a criação de uma reserva de 37 mil quilômetros quadrados na Amazônia.

Em um gesto menos impressionante, o presidente Dilma Rousseff avançou este mês com a demarcação de sete áreas indígenas muito menores. Mas Cleber César Buzatto, secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário, disse que o movimento foi decepcionante já que as áreas não eram geralmente o foco das batalhas terrestres ou grandes projetos de infra-estrutura financiados pelo Estado.

Enquanto isso, os confrontos de terra em diversas partes do Brasil ainda estão ocorrendo.Em alguns casos, os tribunais têm aberto o caminho para alguns povos indígenas, que representam menos de 1 por cento da população do Brasil de 191 milhões, para recuperar terras.

No Estado de Roraima em 2009 , alta corte do Brasil expulsou os agricultores de arroz não-indígenas das terras de 20.000 índios, principalmente os povos Macuxi. Em um caso este ano, o Supremo Tribunal Federal anulou os títulos privados de cerca de 200 propriedades no Estado da Bahia Nordeste, determinando que a terra pertencia aos Hã-Hã-Hãe Pataxó pessoas. A decisão seguiu confrontos que deixaram pelo menos dois mortos.

Mas os tribunais podem realizar muita coisa. A tensão está aumentando também sobre a legislação proposta, visando a abertura de áreas indígenas à mineração , apontando como a demanda por recursos naturais do Brasil pode exacerbar as disputas de terra.
Os ataques contra os povos indígenas persistem aqui em Mato Grosso do Sul, um estado em expansão no sudoeste do Brasil, onde multinacionais como a Louis Dreyfus, o gigante francês de commodities, acabaram com o jogo.

Uma onda de contrastes de riqueza com a sensação de desesperança entre Mato Grosso do Sul povos indígenas do, que representam cerca de 75.000 da população do estado de 2,4 milhões. Sua marginalização tem raízes nas políticas postas em prática na década de 1930, quando os governantes do Brasil encurralados o Guarani em pequenas reservas com a intenção de abrir vastas áreas para colonos.

Os resultados para os povos indígenas foram desastrosos. Na sombra de Mato Grosso do prosperidade Sul, os líderes indígenas chamaram a atenção na última década para asmortes de dezenas de crianças Guarani de desnutrição e uma epidemia de suicídios , nomeadamente em Dourados, uma área urbana, onde milhares de Guarani face ao vivo a lado em pequenas parcelas de terra.

"Dourados é talvez a maior tragédia conhecida indígena no mundo ", disse Deborah Duprat, o procurador geral do Brasil vice.

Além da desnutrição e suicídio, também houve ataques ao Guarani. Mais da metade dos assassinatos no Brasil dos povos indígenas em 2011 ocorreu em Mato Grosso do Sul. A violência está longe de ser escondida.

O ataque de Novembro, sobre o Sr. Gomes, dias depois ele levou um grupo de 200 Guarani que ocuparam uma fazenda de soja, foi especialmente brutal. Uma gangue de arma-wielding os homens, "pistoleiros", como são chamados aqui, foi dito por testemunhas de ter realizado o ataque, que também envolveu espancamento de outros adultos e crianças no acampamento.

Polícia Federal do Brasil encontraram evidências de que quatro proprietários de terras na área havia contratado uma empresa privada de segurança para remover o Guarani, de acordo com a Agência Brasil, agência de notícias do governo. Dez pessoas foram identificadas em dezembro como suspeitos do ataque, disse Jorge Figueiredo, o oficial que investiga o caso. Mais de seis meses após o ataque, os suspeitos permanecem livres, apesar de relatos de testemunhas do ataque. Sr. Figueiredo disse que as identidades não podem ser divulgados, como as autoridades tentam construir um forte caso. Além disso, sem o corpo do Sr. Gomes, os investigadores não têm sequer a prova material de que ele foi morto, apesar de seu filho Valmir disse que viu seu pai morto naquele dia.

À medida que a investigação se arrasta, o Guarani vive com medo. Famílias dormem em tendas no acampamento, que eles chamam de "tekohá", ou "terra sagrada". Patrulha adolescentes com arcos e flechas. Quando os visitantes são admitidos, crianças segurarem cartazes dizendo: "Queremos que os ossos de Nísio Gomes, o nosso líder."

O sentimento de impunidade sobre o ataque segue um padrão, os líderes Guarani disse, em que eles enfrentam fazendeiros que montam poderosos esforços legais para expulsar invasores de suas propriedades. Alguns proprietários alegam que o sistema labiríntico do Brasil legal torna a resolução de disputas difícil.

"Os direitos de todos devem ser garantidas", disse Roseli Maria Ruiz, cuja família possui uma fazenda que foi parcialmente ocupado por mais de uma década por posseiros Guarani. Confrontos na sua propriedade, surgiram. "Nós não podemos, como não-nativos, ser tratados como cidadãos de segunda classe", disse ela. "Em vez disso, nós, também, devem ter o direito de nos defender."

Líderes Guarani dizem que também são impedidos em seus direitos, o processo legal, envolvendo estudos antropológicos e decisões de burocratas em Brasília para determinar a propriedade da terra.

Enquanto isso, as tensões arder em Mato Grosso do Sul, e persistem ameaças contra o Guarani. Um líder Guarani, Tonico Benites, 39 anos, descreveu um encontro angustiante em abril. Ele disse que um homem armado em uma motocicleta parou ele e sua esposa em uma estrada deserta e ameaçou matá-lo por causa de seus esforços para recuperar terras. A tempestade terminou esse encontro, disse Benites, que ainda treme ao narrar-lo."Eu disse a mim mesmo, 'eu vou gritar até que eu estou morto, a minha mulher vai me ouvir, talvez alguém'", disse ele. "Eles podem me eliminar, mas não vou ficar sem um grito."

Lis Horta Moriconi, contribuiu com reportagem do Rio de Janeiro.

Uma versão deste artigo apareceu na imprensa em 10 de junho de 2012, na página A 6 do New York edição com a manchete: Hits Violência Tribos do Brasil Na busca por terras.